21 setembro 2009

Parabéns a mim

Photobucket
New Home Sweet Home, Porto
Hoje




E eis que me torno a feliz e orgulhosa proprietária de um T1 liliputiano no centro do Porto...



photo by Ive

27 agosto 2009

última hora

Procura-se novo visual aqui para o tasco.
Oferece-se recompensa avultada: um abraço apertado à distância e um beijo solto no ar que eu não quero cá confianças. Se for lá já sou capaz de querer.
Muito obrigada e voltem sempre.
A emissão será retomada dentro de breves momentos. Mas não se promete nada!

10 julho 2009

Close the Door

Hamburgo
Junho 2008





I need to renew
I start with my shoes
I buy some real high
When I fall off I cry
...

05 julho 2009

Dezperado

Breyner 85
Rua do Breyner, Porto
Ontem




Desesperada fiquei eu hoje, ainda nem uma hora se tinha passado no novo dia que entrava, quando, na minha habitual letargia e reflexos de moribunda, vi o meu disco rígido externo cair da mesa em direcção ao chão de tijoleira, após o meu gato se ter acomodado atrás do portátil que é sempre um local aprazível para quem é mais friorento do que eu. Ainda sem que me tivesse inteirado de toda a tragédia que se avizinhava, e depois de ter seguido com a cabeça a trajectória descendente do baú informático, eis que finalmente me digno a levantar o cu do banco e a dobrar-me sobre o meu estimado – e de estimação - pneu michelin para apanhar o disco e recolocá-lo em cima da mesa (afianço-vos que tudo isto se passou em câmara lenta e ainda agora consigo ver a cena diante destes olhinhos que as chamas hão-de carbonizar!).
Aparentemente já me encontrava em estado de choque pois nem consegui reclamar com a besta obesa e mimada que é o paneleiro do meu gato. Do estado de choque ao estado de pânico, num ininterrupto ai-meu-deus!-ai-meu-deus!-ai-meu-deus!, foi um estantinho quando dou conta que o portátil não reconhece o dispositivo (como penso já ser de vosso conhecimento deus nunca aparece quando necessário e comigo chega a ter um a relação a roçar o mórbido; a minha sorte – ou azar! - é não acreditar nele). Levanto as mãos à cabeça quando me lembro de todas as cópias de segurança que nunca fiz e vejo todo o meu trabalho a ser sugado por um buraco negro enquanto me prostro mortificada, como quem sabe que a morte está próxima e vê toda a sua vida desfilar diante dos olhos, sendo que no meu caso eram milhares e milhares de fotografias que se esfumavam sem deixar rasto. É então que na minha cabeça começam a deslindar personagens na tentativa de encontrar um paramédico informático de confiança e rapidamente chego ao nome de quem me ajudou na compra do portátil. Dado a hora tardia, e sendo eu uma menina educada, ainda ponderei se não seria melhor deixar o pedido de auxílio para a manhã, porém o desespero falou mais alto e envio-lhe uma mensagem com muitos caracteres a explicar a situação mas que poderia ser traduzida numa única e pequena palavra como quem anuncia o fim do mundo: SOCORRO! Ele, na sua infinita bondade e paciência, estando acordado, telefona-me; e na sua infinita bondade e paciência, naquele tom de voz de quem está sempre muito calmo e em muita paz, faz questão de imediato me familiarizar com o pior cenário possível, assim como quem corta as perninhas à esperança, não fosse eu começar a voar demasiado alto nos meus delírios fantasiosos, mas sem que a matasse de todo o que me levou, num gesto do mais puro e visceral desespero, e numa vã tentativa de subornar o destino, a oferecer-lhe uma grade de cervejas caso conseguisse salvar os dados da minha caixa negra.
Foi assim que entrei no estado de catatonia, de quem tem que esperar pelo dia seguinte para saber um resultado de um importante exame de saúde mas que mais não pode fazer do que esperar. De tal modo em catatonia me encontrava que inclusive afaguei o obeso paneleiro do meu gato quando me deitei, não lhe conseguindo culpar pela tragédia que vivia, conquanto pensasse que um estufadinho de coelho vinha mesmo a calhar. Em catatonia adormeci e em catatonia me levantei, e à tarde, em catatonia e de coração nas mãos e politraumatizado na carteira, lá fui eu para a delicada intervenção e derradeiro diagnóstico.
Do estado de catatonia passámos ao estado nervosinha, e do desespero passámos à aflição, e era ver-me cá e lá, entre uma divisão e outra, não conseguindo manter-me na sala de operações durante muito tempo sem que sentisse que a histeria tomaria conta de mim, preferindo ficar nos entretantos na cozinha a olhar o relógio à espera que me viessem dar a notícia. Não obstante todo este meu frenesim, acabei por estar presente na hora da ressurreição, enquanto eu sorria radiosamente e vozes celestiais entoavam aleluia, embora de forma tímida na incerteza do tempo da frágil vida do disco agora despido e na incerteza do que se poderia salvar. Ainda fiquei ali um pouco, a ouvir-lhe os lamentos das dificuldades em bombear a informação, porém não assisti ao término das operações, pela necessidade de relaxar momentaneamente o meu contraído coração e mentalizar-me, enquanto me morre o sorriso nos lábios, que terei mais uma despesa a juntar a todas as despesas que este ano já comporta, principalmente àquelas que advêm da minha própria irresponsabilidade.
Resta saber se aprendo alguma coisa com isto, pois conhecendo-me como me conheço, provavelmente uma bigorna na cabeça não seria mal pensado!



(não é certo que consiga recolher todos os dados intactos, mas alguma coisa é melhor que nada!)