08 junho 2009

Walk this Way

Praga, República Checa
Ontem



Apontamento a reter: minimizar fotografias com o picture manager dá bosta na certa! Depois alteramos isto.

31 maio 2009

Cheirou a Lisboa

Lisboa
Abril 2009



Cheirou a uma viagem sempre aprazível na companhia da família lontro; cheirou a navalheiras; cheirou a chamuças, a garlic naan, a achar de manga, a caril de camarão, a arroz basmati, a Planalto fresquinho e bebimka; cheirou a um meio de tarde afogada em ginjinhas e eduardinos na Ginjinha Sem Rival nas Portas de Santo Antão na companhia da progenitora e de um casal amigo, a quem ainda se juntou a irmã da progenitora, grupo pouco aconselhável a pessoas com uma reputação a manter e um bom nome a defender; cheirou a um resto de tarde eufórica a chatear o meu par de jarras predilecto e em amena cavaqueira com uma das gémeas com arte a correr nas veias; cheirou a uma ressaquinha que chegou lá para as 21h30; cheirou a um jantar descansado na companhia de amigos em que emborquei coca-cola como se não houvesse amanhã - vá-se lá saber porquê; cheirou a músicas de Ornatos ouvidas em modo repeat enquanto cavalgava o Tejo; cheirou a um sentimento arrebatador de vitória de mais um passo dado e uma vontade imensa de abraçar os amigos com sorriso rasgado de felicidade enquanto se diria "consegui!"; cheirou a pés enterrados na areia, a ténis de praia e uma fome não saciada de um mergulho no mar por incompatibilidade com a temperatura na água; cheirou a polvo no forno com batatas a murro; cheirou a prenda de aniversário antecipada da minha querida Neka em formato de circo de sol a provar que não são preciso animais para se conseguir um bom espectáculo e a comprovar que eu continuo uma criança que adora palhaçadas; cheirou a uma viagem sonolenta de regresso com a boca aberta mas sem baba; cheirou a uma casa que se encontra meio caótica graças ao paneleiro do meu gato; enfim, cheirou a vida.

24 maio 2009

ontem foi só um dia

Arruda dos Vinhos
Abril 2009




Sexta-feira aqui o tasco fez três anos de existência. Não me esqueci, em parte devido à oportuna lembrança do meu caro Des umas semanas antes, porém não fez sentido celebrar. Não que não me sinta orgulhosa do trabalho feito, da evolução que sinto em mim – apesar de estar longe da desejada que a letargia é uma coisa lixada - e de continuar a manter activo e actualizado o blog. Não é de todo perfeito, contudo é parte de mim e muitas vezes espelha o meu humor e o que me vai na alma. É também o meu canto, lugar de encontros e animadas tertúlias que já me deu a conhecer tantas pessoas e como tal tenho-lhe uma estima genuína. Simplesmente cada vez menos faz sentido a celebração de datas, pois tenho para mim que a celebração deve ser diária e cada dia que passamos e vencemos merece ser comemorado.
Hoje, por exemplo, a minha vitória foi ter conseguido montar sozinha uma estante do Ikea - tarefa que não é indubitavelmente para todas. Tinha eu pensado em libertar a gaja que há em mim a contrariar a pequena camionista que sou, pintando as unhas daquele vermelho vivo que dá ganas de as cravar numas nalgas, e ao invés disso acabei por libertar o trolha que há em mim, dedicando-me e a esse belíssimo passatempo que é a bricolage, o que, convenhamos, é uma actividade deveras interessante para se levar a cabo num serão de domingo (e com isto descubro que a palavra nalga existe mesmo e que significa efectivamente nádega – palavra de Priberam!!).
Tinha já aqui a estante encaixotada há uma semana e tal à espera de uma alma caridosa que me prestasse pronto auxílio, ou seja, um homem que fizesse o trabalho sujo por mim, quando por sugestão da minha querida e excelsa Neka decido abrir a porra da caixa para espreitar as instruções e ver as ferramentas necessárias. Pois sim, que as instruções são simples e tudo me pareceu fácil, afinal é só encaixar peças, e pus bravamente mãos à obra. Mãos e o resto do corpinho, que aquilo foi ao murro, a joelhadas e a todo o peso que pudesse colocar para encaixar a porra das peças! Ainda fui orgulhosamente feliz buscar as minhas ferramentas (sim, eu tenho variedade considerável de ferramentas e o meu sonho é ter um berbequim e esburacar paredes), para depois descobrir que afinal a ferramentazinha em questão até vem com o resto das peças, numa demonstração cabal da minha tarouquice, e que o que me faltava mesmo era a força necessária para tal empreitada. Foi assim que, à terceira peça, me apercebi que a montagem não seria tão fácil e pacífica como tinha imaginado. Ainda enviei uma mensagem desesperada ao amigo alienado que mora ao virar da esquina, todavia sem nunca desistir que eu gosto de provar que consigo ser muito macho (ele também não respondeu, portanto não me restava alternativa). Era ver-me qual verdadeiro trolha, de tronco nu a bufar em volta do móvel e a emanar esse estonteante odor a cavalo, com a diferença de trajar aquela peça de vestuário que suporta as mamas - coisa que calculo que a maioria dos trolhas não use, pelo menos no local de trabalho. Ele foi virar e revirar estante, ele foi marteladas, ele foi, como supracitado, murros e joelhadas, ele foi pensar que os homens sempre têm alguma funcionalidade e que me estava mesmo a dar jeito um, e uma teimosia obstinada em como, na épica e terrorífica batalha que se desenrolava entre mim e a estante, eu sairia vitoriosa. E saí! Eis que passado duas intermináveis horas, com alguns forçosos intervalos para recuperar as forças e o fôlego , a sentir as costas e os bracinhos completamente doridos e a mão direita quase em ferida - e ainda com receio que me tivesse parado a digestão do chá das 5 very british em que comi e bebi que nem uma marabunta - a estante ficou finalmente montada! E como em tudo o que é montagem, amanhã não me mexerei com as dores – mas estarei decerto muito feliz!



P.S.: este texto, na minha perspectiva, está aquém do que poderia ser, contudo, após o esforço efectuado, os meus dois neurónios negaram-se a qualquer cooperação na sua redacção, recolhendo-se preguiçosamente para um descanso mais que merecido - algo que farei igualmente de seguida.


Adenda: entretanto percebi finalmente parte da sinalética do manual de instruções, que os suecos pelos vistos gostam de poupar nas palavras, e que traduzido à letra significa qualquer coisa como "não seja estúpido a querer montar esta merda sozinho e arranje ajuda de uma segunda pessoa!" - só achei desnecessária a sinalética "se não entender um corno telefone-nos a pedir esclarecimentos"; mas o que raio não há a perceber ali?!

17 maio 2009

Caminhando

Lago Trasimeno - Umbria, Itália
Abril 2009


Este fim-de-semana gostei de viver o meu lar mais leve (ou seja, com menos merda inútil acumulada) e ligeiramente redecorado; de receber um abraço grátis em plena Santa Catarina a lembrar que é tão fácil mimarmo-nos uns os outros e que deveriamos viver em menos desconfiança; de redescobrir a minha casa de sandes predilecta que oportunamente reapareceu em Portugal e para meu gáudio abriu em plena baixa portuense (agora é rezar a todos os santinhos que não feche!); de me divertir a ver um programa popularucho na televisão apenas pelo gozo da crítica mordaz - o mau às vezes é muito bom; de rever em parte o filme Snatch e de gargalhar estupidamente na sequência de acontecimentos improváveis na cena do assalto à casa de apostas - lindo lindo lindo!; de voltar a cantar aquelas poucas canções que eu consigo não estragar muito; de confirmar mais uma vez que as pessoas entram na nossa vida por alguma razão e que é com elas, e através delas, que aprendemos e crescemos - ou isso sou eu que tenho que encontrar sentido em tudo; de me sentir mais equilibrada e racional, e relembrar-me que a vida se faz caminhando.