08 setembro 2008

Não fales, age!

Madrid
Julho 2007

25 comentários:

Desinformador disse...

Tiveste em Madrid e nao disseste nada? Desnaturada! :P

K disse...

;p Opá, enganei-me! Já lá vou corrigir! (E tu achas que eu sou como tu não?! Que nunca diz nada a ninguém?! Bah!)

Desinformador disse...

lol... eu tb fiz um post num blog e pus 2009... numa foto feita este Sábado numa cidade junto ao lago Constanz.... E eu digo-te sempre, nem que seja depois! :P

Desinformador disse...

Agora sobre o post, mais um espanholito com queda para político de esquerda...

K disse...

Ahahahahahahahahah! Andas a viajar ao futuro? Também quero! E olha serve de muito dizeres-me à posteriori que cá estiveste. Bah para ti! E digo mais: bah bah bah!

(tens alguma coisa contra a política de esquerda?)

Desinformador disse...

São apenas resquícios pós visionamento da segunda série dos Heroes... essa do viajar no tempo! :P

Claro que serve! Pelo menos digo que estive! Nem que seja para te irritar! :P

Realmente, sou alérgico às políticas fomentadas por pseudo-intelectualóides de esquerda, que são contra qualquer atentado contra a vida humana, mas depois têm como ídolo um sanguinário como o Che Guevara, que está ligado directamente à execução de mais de 200 pessoas, durante o seu período mais negro, quando Fidel assumiu o poder em Cuba.

Em resumo é isto!

K disse...

Perdão, peço desculpa, deixa-me reformular a pergunta: o que tens contra as ideologias de esquerda? Na sua essência, entenda-se. Porque de resto concordo plenamente contigo. Particularmente, e tal como tu, não tenho qualquer simpatia pelos regimes de esquerda.

Quanto à parte do irritar...quilha-te! ;P

Desinformador disse...

Porque na essência, essas ideologias não passam disso mesmo! Ou podes mesmo chamar-lhes utopia!

Porque o povo ao poder é meramente uma utopia, já que quando o povo chega ao poder, serão certos e designados indíviduos a assumi-lo, e logo se esquecem das suas raízes e tornando-se numa elite fascizóide com rasgos de intelectualóides de esqueda!

Eu espumo cada vez que ouço a camarada cassete Odete a defender o camarada Estaline enquanto os ditadores conotados com a direita os crucifixa e arquiva directamente no ficheiro de anti-cristos!

Estas merdas irritam-me!

K disse...

Já deu para reparar...porém eu sofro exactamente da mesma perturbação: este tipo de incoerência irrita-me profundamente! Aliás, é por volta destas alturas que eu começo a inflamar.

E sim, também eu estive para falar de utopia, porque no fundo as coisas são muito bonitas mas é no papel (ou no discurso) e todos os regimes comunistas tresandam a triunfo dos porcos (uma bela alegoria). Por alguma razão é dos meus livros predilectos.

Finalmente estamos de acordo em alguma coisa. Há coisas fantásticas não há?? ;p

Desinformador disse...

Lol!!! Realmente! E adorei a alegoria do triunfo dos porcos! Divinal!

K disse...

Conquanto eu sempre tenha visto o livro como uma alegoria à maioria dos regimes políticos, principalmente os comunistas, entretanto descobri ao reler uma edição que aparentemente a intenção do Orwell era mesmo a crítica ao regime soviético. Portanto quando escrevi "bela alegoria" é por o livro ser isso mesmo, a mais bela alegoria sobre as incoerências de esquerda e sobre a cega ganância humana.

Desinformador disse...

Conheço o livro mas nunca li... é algo a fazer em breve!

K disse...

Eu também conhecia a história, pelo filme animado, mas nunca tinha lido até há relativo pouco tempo (relativo tendo em conta a minha idade...). É pequenino e lê-se de uma assentada só. Não é em termos literários qualquer coisa de fantástico mas o homem consegue de tal modo descrever a retorcida condição humana e fazer-nos sentir a injustiça que, como tu dizes, acabamos a espumar. Por isso, e apesar de tudo, continuo a preferir o Orwell ao Huxley.

Dalaiama disse...

A primeira experiência comunista no mundo aconteceu em 1871. Foi a Comuna de Paris. Sim, Paris já foi comunista. Colectivizaram-se os meios de produção e, com muita bondade e sem ditaduras, integraram-se todas as pessoas na nova sociedade. Ora, quem estava contra o novo sistema, sabotou-o, facilitando a entrada na cidade das tropas que vieram chachinar os comunistas. Mulheres grávidas trespassadas por espadas, crianças e velhotes torturados, homens a quem foram cortados braços e mãos, e todo o tipo de torturas e atrocidades foram então cometidas contra aqueles miseráveis comunistas que sonharam construir uma sociedade mais igualitária, no mínimo que lhes permitisse sair do seu estado de miséria.

Todas as subsequentes ditaduras de esquerda tiveram origem nessa experiência parisiense. Sem defender nem criticar, é importante compreendermos a sua origem histórica. Deixou de haver o idealismo de que todos poderiam integrar-se na nova sociedade, que, ao contrário, alguns poderiam mesmo tornar-se elementos perigosos para a sobrevivência dos demais. Surgiu assim a chamada 'ditadura do proletariado'.

Bom, o assunto é complexo.
Estamos todos de acordo em sermos contra as violências, arbitrariedades e abusos de poder.
Mas acho complicado, pelo que tem de redutor, criticarmos a esquerda de modo assim feroz.

A grande verdade é que até à Revolução Russa de 1917 os Estados Ocidentais eram pouco ou nada protectores. Foi em resultado das lutas sociais (promovidas pela esquerda) e com medo de que os comunistas também triunfassem a Ocidente que uma série de concessões foram feitas a quem trabalha:

Salário mínimo, assistência na doença, reformas na velhice, licença de maternidade e licença para assistência à família, contratos de trabalho, direitos laborais vários,...

Nenhum defensor dos direitos humanos pode gostar de uma ditadura. Mas o que é facto é que mais facilmente se criticam as ditaduras de esquerda (a meu ver por influência sub-reptícia da propaganda) quando proliferaram e ainda proliferam em igual ou maior número as ditaduras de direita (basta lembrar o número de países que, desde a América Latina até à Indonésia, tiveram governos militares sob patrocínio dos EUA, havendo ainda hoje respeitáveis nações no plano internacional como a Arábia Saudita, o Paquistão e tantos outros onde vigora a lei da força e o atropelo dos direitos humanos).

É um assunto complexo. Mesmo muito complexo. São precisos muitos exercícios mentais para compreendermos a razão histórica dos factos. E ainda assim não sei se haveria certezas, menos ainda consensos.

O que sinceramente me preocupa é que acusações de ânimo leve aos regimes de esquerda acentuem a cegueira colectiva em que estamos mergulhados, aproveitada pelas elites para nos fazerem recuar na história. Mexe-se na legislação laboral: cada vez os empregos são mais precários, os direitos são extintos, há uma regressão ao século XIX e início do século XX.

Pois, porque diz-se que a experiência soviética foi má, ponto final. Então que se volte atrás, ao tempo em que não havia comunismo no mundo, nem comunismo nem direitos. Criticando a esquerda, receio que estejamos a contribuir para o avanço desenfreado, voraz e egoísta da direita. Porque os 1125 indivíduos cuja riqueza é igual ao produto interno bruto dos países onde vive 59% da população mundial já deixaram de ter respeito pela esquerda. E uma das razões é que nós também deixámos. Só que eles ficam cada vez mais ricos e nós trabalhamos cada vez mais para ficar cada vez mais pobres.

E sim, o Triunfo dos Porcos do George Orwell é um livro muito interessante. O ser humano é contraditório. A sua história também o é. O livro espelha essa contradição. Até é um pouco amargurado, eu acho.

Em tom de denúncia, e muito actual, é, do mesmo autor, 1984. Recomenda-se.

Desinformador disse...

Mas meu caro, não é só a experiência soviética que correu mal. A cubana e a chinesa reforçam o falhanço da ideologia comunista. Pol Pot no Camboja também, a Coreia do Norte enfim, nem tem adjectiação possível!

E atenção, a crítica que faço aos regimes comunistas totalitários, também a faço sem reservas ao de extrema direita!

O resultado, na essência é igual! E isto de redutor não tem nada! Opressão dos desprotegidos, and son on...

K disse...

Dalaiama, apesar de não ter lido de todo a tua missiva, que hoje estou em dia não e falta-nos a paciência, apanhei o sentido e estou ali com o Des (hã? e voltamos a estar de acordo! lindo!): sou completamente apartidária. As ideologias políticas são muito bonitas na sua essência e enquanto doutrina. E aí pendo indubitavelmente para a esquerda. Acredito que se o ser humano o quisesse podiamos lá chegar. Contudo são poucos o que se esforçam. O ser humano em geral é uma desilusão. Atente-se, não que não tenha fé. Porém julgo-o mesmo impossível. Por alguma razão o ser humano criou a eterna dicotomia deus/diabo. A maldade anda sempre à espreita e há quem em proveito próprio não se preocupe em controlá-la. Desde que não sejam eles os prejudicados que se fodam os outros, certo? O altruísmo e consciência própria(e tantos outros princípios e valores) são cada vez mais raros, e o mais espantoso, é que são considerados amiúde coisa de gente burra. Eu sei, que tendo como principal lema "não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti" e uma consciência maior que eu (não que também não falhe...), sinto-me frequentemente uma ave rara vinda de um qualquer outro planeta. É este o mundo em que vivemos, com uns quantos a remar contra a maré. Por isso te admiro. Pode ser que um dia sejamos muitos. Haja fé.

Sei que já fugi decerto modo ao que se debatia, mas apeteceu-me. E quanto ao 1984 já o li. O que me traz à memória uma passagem curiosa de um livro que li recentemente do mesmo escritor do Fight Club, em que ele diz que o Orwell estava errado: somos uns sliênciofóbicos mantidos distraídos com toda a informação que nos entra pelos olhos e ouvidos. Formatados formatados formatados...


(sorry, hoje a minha alma está meio negra)

K disse...

And there’s always someone pulling the strings...a few masters and lots of puppets...keeping them distracted...an eternal dictatorship...

Desinformador disse...

Isso é no Millennium People do Chuck Palihuk!? - acho que não se escreve assim... mas enfim.

Isso a cena de a geração actual ter uma fobia ao silêncio impressionate!

Eu se há coisa que preso é o silêncio! Li este livro e a revolta da classe média londrina a queimar Range Rovers de 90 mil euros é fenomemal! Pena que seja apenas ficção!

E estou espantado, na mesma caixa de comentários, concordas duas - DUAS - vezes comigo! Espero que não estejas para me pedir nada em breve!!! :P

Já agora Dalai, lembro-me perfeitamente do que reza a história sobre a chacina comunista em Paris, mas isso não pode servir de desculpa para a filosofia actual. Antes que eles nos matem a nós, atacamos primeiro e eliminamos o risco!

Por causa disto é que a humanidade está no estado em que está! Parecem os muçulmunos, que volta e meia clamam pela guerra santa contra os infiéis, relembrando as Cruzadas do séc. XII.

Enquanto estas mesquinhices próprias da natureza humana não forem eliminadas, o mundo vai continuar em espiral de destruição...

Só falta a Sarah Connor, o filho e o Terminator para evitar o dia do julgamento final...

por certo, já vi a mini série de TV Sara Connor Chronicles e é um luxo para quem é adepto dos primeiros dois Terminators. Aconselho vivamente!

K disse...

Não sei se foi da comoção pelo facto de estarmos de acordo porém o teu discurso voltou a ficar atabalhoado como é usual. Ou então tiveste algum momento raro de lucidez cerebral e agora voltaste ao normal...;p Just kidding my friend. E não te vou pedir nada, conquanto regressar a Madrid fosse sempre uma opção.

O livro é o Lullaby e o nome do homem é Chuck Palahniuk, algo que só consigo escrever por ter ido verificar ao livro (aliás, sempre foi um atrofio tentar encontrá-lo na biblioteca!). Deve ter sido esse que leste, se é que leste, porque não encontro referência a um título como o que tu referes. E para que não restem dúvidas acerca do que menciono deixo aqui a passagem do livro que me atingiu qual clarividência (em inglês que é o que se encontra, e eu sou demasiado preguiçosa para transcrições), apesar de já me ter ocorrido algo similar anteriormente aquando de debates e análises aos canais portugueses:

"The sound shivers through the walls, through the table, through the window frame, and into my finger. These distraction-oholics. These focus-ophobics. Old George Orwell got it backward. Big Brother isn't watching. He's singing and dancing. He's pulling rabbits out of a hat. Big Brother’s busy holding your attention every moment you're awake. He's making sure you're always distracted. He's making sure you're fully absorbed. He's making sure your imagination withers. Until it's as useful as your appendix. He's making sure your attention is always filled. And this being fed, it's worse than being watched. With the world always filling you, no one has to worry about what's in your mind. With everyone's imagination atrophied, no one will ever be a threat to the world."

N.R.: parece que vai haver um novo filme baseado num romance dele...penso ser o asfixia

Errata: quando eu no comentário anterior digo que ele escreve que o Orwell estava errado, deveria ter dito que ele escreve que o Orwell percebeu tudo ao contrário

Desinformador disse...

Isso Lullaby, não me lembrei e por isso o Millennium People que é o último dele e que li, foi o primeiro que me recordei.... hummmm por falar em atabalhoado!!!

O Asfixia também já li! É sobre um tipo que ganha a vida a receber grana das pessoas que o salvaram em restaurantes onde se encontrava e a dado momentos começava a asfixiar, e era salvo através da Heimrich manuveur.

As pessoas que o salvavam, no dia de anos dele, enviavam-lhe um postal, e por piedade, alguma grana...

Ele simplesmente escolhia um restaurante na lista telefónica, ou por apetites, tipo hoje vou comer japonês... ia, comia, asfixiava-se, salvavam-no, ia embora sem pagar e no dia x recebia um postal de parabéns!

Tu nunca mais te atrevas a dizer que eu sou estranho!:P

Desinformador disse...

ups... esquece o Millium People, é de outro autor... confundi os alucinados...

O Millennium People é do JG Ballard, o mesmo que escreveu o Crash sobre uns alucinados que só tinham orgamos com acidentes de automóveis...

Eu só leio o que estes gajos escrevem... eu não tenho nada a ver com isto! :P

Desinformador disse...

E o Crash passou ao cinema pela lente de outro alucinado, um tal de David Cronenberg... em 96!

Dalaiama disse...

A primeira vez que vi este post ele não tinha um único comentário.
Pensei escrever sobre a beleza do arco-íris com as letras vermelhas.
O título era «não fales, age», acho que me deixei influenciar e fui agir ao invés de comentar...

Depois quando regressei havia uma enormidade de comentários e eu só quis dar o meu contributo chamando a atenção para um tema que me é caro: apesar das suas imperfeições acredito que a esquerda preocupa-se mais com as pessoas do que a direita e, principalmente, não devemos desmoralizar perante a evidência do aumento das desigualdades sociais!
A cabeça sempre erguida!
Eles andam aí!
Nós sempre em luta!
A honra levantada!

Bom, mas escrevi tanto tanto tanto que acho que me afoguei em palavras {blurp} teria dito o mesmo com apenas duas ou três frases
e deixado claro
que estamos todos do mesmo lado
na repulsa contra as ditaduras
sejam de direita ou de esquerda
tanto faz
somos democratas (fixe)

(Ainda bem que vocês, des e K, conversando entre vocês porreiramente, salvaram a consistência geral dos comentários)
;-p
Fiquem bem ;-)

K disse...

Oh, fico feliz que este post tenha sido o gatilho para agires! ;] Melhor assim! (mostra mostra!) E o teu comentário foi também o que enriqueceu e permitiu a restante tertúlia. E gostei muito. E aprendi o que ainda é melhor. ;] Mas é isso, estamos todos do mesmo lado, e sim, a esquerda preocupa-se mais com as pessoas. Nós não salvámos nada, estavamos todos em amena cavaqueira. Só faltava mesmo estarmos reunidos em volta de uma mesa bem regada e fornecida. ;]

E Des, tu és estranho! eheheh (também já vi o Crash, e agora deixaste-me com curiosidade em relação a esse livro de que falas)

Desinformador disse...

Concordo contigo Dalai, na essência, ou filosoficamente falando, a esquerda preocupa-se mais com o povo. Na prática já sabemos que isso são apenas declarações de intenções, e mesmo não chegando a extremos que já citei, temos exemplos de políticos de esquerda que assumiram o poder e acabaram por não cumprir as promessas que fizeram aos (ex) companheiros de trabalho, vide por exemplo Lula da Silva e o polaco Lech Walesa.

Quanto a ti K, lê, porque realmente é muito interessante. É a desconstrução de toda uma classe média/alta, culta, bem formada com vida estável e supostamente feliz.

Seria como ver a Quinta da Marinha toda em Cascais a revoltar-se e a queimar casas, carros e o que seja necessário, para receber do seguro e pagar a Euribor!

É pena que seja apenas ficção!