04 abril 2008

Svensk Frukost

Home Sweet Home
29 Março 2008

Que é como quem diz pequeno-almoço sueco. Não propriamente o típico, mas o que aconteceu em minha casa durante uns dias.

Se não vais até ao couchsurfing, o couchsurfing acabará por vir até ti.

No ano passado, e após ter feito férias de certo modo sozinha em Barcelona e Madrid, ficando alojada primeiro em casa de um amigo de uma amiga e depois em casa de um amigo, experiência que adorei por me ter permitido viver as cidades numa perspectiva não tão turística, comecei curiosamente a investigar o Couchsurfing. O que me alicia no Couchsurfing, não é só a possibilidade de poder fazer férias mais baratas, e assim ter um leque maior de destinos à escolha (que a vida em Portugal não é feita para solteiros independentes), mas principalmente a oportunidade de me desafiar a mim mesma (que eu cá sou meio atadinha…), de descobrir os locais através de quem neles vive, de conhecer outras pessoas e outras culturas, o trocar de experiências, conhecimentos e vivências, e sair humanamente mais enriquecida. Vi, investiguei, mas não cheguei a inscrever-me. Porque lá está, sou meio atadinha, porque tive receio, tendo em conta a minha natural timidez e introversão, de como reagiria a completos estranhos (porque funciono muito pela empatia), porque o meu inglês está mais que enferrujado, e também porque acho que por uma questão de justiça, se quero ser recebida, devo igualmente receber, e a casa onde moro actualmente não se encontra nas melhores condições. Ou seja, ficou tudo em águas de bacalhau, como por vezes é hábito em mim.
Eis senão quando, na quarta-feira passada, recebo uma mensagem de um amigo meu que tem estado em Estocolmo, a perguntar-me se podia dar guarida a uma amiga dele que vinha com o namorado e mais uma amiga, que chegavam no dia seguinte ao Porto e não tinham onde ficar. Se inicialmente fiquei meio catatónica, a ponderar bem o esforço que teria que fazer para sair da minha letárgica timidez (e como eu sou preguiçosa, meu Zeus), imediatamente de seguida, e incapaz como sou de dizer não, confirmei o alojamento e comecei a planear algumas coisas para eles, que eu cá gosto e tenho prazer em receber bem as pessoas. E foi assim que conheci a Lisa, a Anna e o Zenati, duas suecas e um palestiniano, pessoas 5 estrelas e mais que houvessem, que fizeram desta experiência das coisas mais gratificantes e memoráveis da minha vida (e que também colocaram a fasquia de tal modo alta que tenho medo de me desiludir em futuras situações similares). Descubro assim, entre muitas coisas, o quanto sei sobre a cidade do Porto e sobre Portugal, e quanto me falta saber, que as nórdicas podem ser bem sentimentais e românticas ao contrário do que comummente se supõe, que as relações, essas, sofrem das mesmas maleitas seja qual for a sua nacionalidade, e que esse hábito que julgávamos tão portuguesíssimo, de servir tremoços com a cerveja, afinal é prática comum na Palestina e, pasme-se, que a palavra tremoço se pronuncia de maneira idêntica nos dois países (mistériooo...). Foram 5 noites bem comidas e regadas, que tem que se apresentar os bons néctares portugueses, de boa disposição e amena cavaqueira, com repetição exigida para a próxima semana, que eles apanham o avião de volta no Porto. A eles, um enorme bem hajam! Ou como diria eu feita mãezinha, god bless you my children, be careful and go in peace!

4 comentários:

Desinformador disse...

Surf's up dude!

homesick.alien disse...

A palavra tremoço é uma das heranças deixada pela presença árabe aqui no burgo. Por isso não é assim tão estranho que naquela região a palavra seja parecida =P Mas fomos nós que tivémos a ideia genial de fazer acompanhar o dito com cerveja bem fresquinha.
Quanto ao couchsurfing, já te tinha dito que tavas convidada lá pra casa que é um posto muito sofá-surfável =P ah...e pára de me perseguir.já não posso ir ao piolho em paz sem dar contigo de frente? XD

K disse...

Hmmm...não sei acerca dessa herança árabe...porque li algures na wikipédia que em Espanha se chama altramuz devido à herança árabe (o que até faz sentido). Mas de qualquer maneira não se pode confiar de todo nessa enciclopédia virtual...
Mas será que fomos mesmo nós a termos essa ideia genial? Já não sei de nada por estes dias (talvez seja do Favaitos...).
Relativamente ao couchsurfing eu tenho onde dormir ;p mas podemos combinar um copo de bom vinho já que eu não bebo cerveja. E eu não ando a perseguir-te! Ora essa! E muitas vezes já eu te vi e nem falei contigo. Bah! Mas se a minha excelsa presença te incomóda é só dizeres! (nunca mais bebo...juro...não consigo ver as teclas)
Vá vá, combinamos isso e eu vejo o teu sofá. ;p (e já te encontrei no couchsurfing eheheh)

K disse...

Adenda ao comentário anterior

T.P.C. - repetir 1000 vezes para mim mesma "Não voltarás a escrever enquanto estiveres alcoolizada"